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Bexiga e wèi qì 卫气 : origem inferior do qì defensivo


Este artigo foi retirado do conteúdo do curso de formação “Zang Fu” ministrado por mim, em Paris, no ano escolar de 2002-2003. Também foi tema de uma conferência no Congresso Internacional de Acupuntura em Quebec, que aconteceu em 5 de abril de 2003.

Tenho consciência que as citações dos textos clássicos apresentadas aqui são, às vezes, traduzidas com um estilo “picado” e sem graça. Mas é porque eu quis me manter o mais próximo possível do chinês, afim de evitar ao máximo as distorções de sentido. Um pouco de esforço, no entanto, permitirá compreender o sentido da frase. Também estou perfeitamente consciente que o uso repetido de citações retiradas dos textos clássicos dá um ritmo pesado ao artigo. Mas, para mim é fundamental que a afirmação de toda a teoria essencial encontre sua justificativa nas obras que construíram o sistema médico chinês.

Para compreender as relações entre a bexiga e o Qì defensivo, é necessário primeiro esclarecer a função primária da bexiga: armazenar, não a urina, mas os líquidos. Após este importante esclarecimento, nós entraremos propriamente neste assunto.

A bexiga armazena os líquidos (Pang Guang Cang Jin Ye)

Segundo o Huang Di Nei Jing1 (Clássico Interno do Imperador Amarelo) a bexiga é um reservatório de líquidos: “A bexiga tem como função as províncias e as capitais2, ela armazena os líquidos” (Huang Di Nei Jing Su Wen – capítulo 8); “A bexiga é o palácio dos líquidos”, (Huang Di Nei Jing Ling Shu – capítulo 2). Na verdade, é preciso remeter esta idéia a seu contexto. É importante, de início, lembrar que a bexiga recebe os líquidos de duas origens diferentes: uma parte dos rins, outra parte do intestino delgado. Uma vez que os líquidos puros distribuídos pelo pulmão tenham impregnado, umidificado e nutrido todos os órgãos e tecidos, aquilo que não foi assimilado, o que é excedente , turvo, é recuperado pelos rins e enviado à bexiga

Além disso, quando o intestino delgado recebe o “bolo alimentar” (Shi Mi), ele separa os eventuais líquidos excedentes ou líquidos turvos (não assimiláveis), e os envia para a bexiga. Desta forma, para a medicina chinesa clássica, a função primária da Bexiga é armazenar os líquidos turvos ou excedentes, até que eles sejam transformados e sejam ou excretados ou reutilizados. Só quando estes líquidos são evacuados, é que são chamados de “urina” (Niao Ye). Esta é a razão pela qual o Nei Jing e outros clássicos dizem que a bexiga não armazena urina, mas líquidos (Jin Ye). “A bexiga fica em baixo, numa cavidade no interior (do corpo), é por isso que ela armazena os líquidos Jin Ye. Quando ocorre a transformação do Qì do Mar de Qì3, então a urina escoa” (Su Wen Bing Ji Qì Bao Ming Ji4 – Compêndio sobre os mecanismos das doenças e a adaptação do Qì do Su Wen para proteger o destino). É verdade que também existem clássicos que dizem que o líquido estocado na bexiga é a urina, como por exemplo Zhu Bing Yuan Hou Zong Lun5 (Tratado geral sobre a origem e os sinais clínicos de todas as doenças): “ Os líquidos Jin Ye excedentes entram na bexiga, é a urina”. Mas estes são minoria. Além disso, o fato de se admitir que são líquidos e não urina que são estocados na bexiga permite compreender suas outras funções. Para se compreender bem as explicações a seguir, é importante guardar este aspecto na memória: o que é estocado na bexiga, são os líquidos dos rins, o que é excretado pela bexiga é a urina. Para serem evacuados, estes líquidos devem ser transformados em urina, o que se faz sobre a égide de transformação do Qì (Qì Hua).

Desta forma, a bexiga não se limita a estocar os líquidos, ela também os excreta. No entanto, esta ação se faz sob a impulsão dos rins que governam os dois orifícios inferiores. Podemos dizer que o metabolismo dos líquidos depende do baço, pulmão, intestino delgado, intestino grosso, do triplo aquecedor, dos rins e da bexiga. Mas é o Yang Qì dos rins que sustenta a ação de todos estes órgãos para assimilar e excretar os líquidos. Graças à função de transformação do Qì (Qì Hua) que os rins fazem escoar os líquidos turvos para a bexiga e os transforma em urina no momento de sua evacuação. São os rins, via Qì Hua, que dão ordens à bexiga para reter ou excretar a urina. “Os líquidos são armazenados na bexiga, eles não podem partir espontaneamente. É necessário o mecanismo do Qì, que transmite e transforma, então os líquidos saem, é a urina” (Wu Zhu Huang Di Nei Jing Su Wen6 – Comentários de Wu (Kun) sobre o Huang Di Nei Jing Su Wen7.

A transformação do Qì da bexiga (Pang Guang Zhi Qì Hua)

Para entender melhor a relação existente entre a “transformação do Qì” e a bexiga, é preciso se aprofundar nesta noção. O termo Qì Hua, como sempre acontece com as noções fundamentais do pensamento médico chinês, se fundamenta sobre uma idéia precisa, mas que descreve fenômenos diferentes segundo o contexto no qual ela se aplica.

De início, em seu sentido mais global, a transformação do Qì designa o conjunto de mudanças que resulta dos movimentos incessantes do Qì. As “transformações do Qì” podem ser consideradas como a causa e o motor das metamorfoses de todos os fenômenos do universo. Em termos de corpo humano, a transformação do Qì faz referência ao conjunto de mudanças que permitem ao organismo se manter em equilíbrio e estar vivo. Se manifesta nos diferentes domínios como, por exemplo, na capacidade do Qì Hua de gerar Qì, sangue, jing, líquidos, sua capacidade de fazer com que estes diferentes substratos se transformem uns nos outros, sua capacidade de permitir a eliminação dos dejetos que são produzidos destas transformações incessantes, etc.

Em seguida, o termo “Qì Hua” designa a capacidade do fogo ministro8 de vaporizar e transformar a água dos rins. O fogo transforma a água em Qì. Esta transformação da água é chamada “transformação do Qì”, porque ela gera um Qì especial, nada menos que Qì Original: Yuan Qì. “A água que se dispersa é Qì, o Qì que se acumula é água” (Yi Deng Xu Yan9 – A lâmpada médica que continua a brilhar). Para compreender bem esta noção, é preciso se lembrar que a água dos rins, neste contexto, é um aspecto do Yin/Jing. Em outros termos, o fogo ministro transforma o Jing dos rins em Yuan Qì, sendo este último o Qì que é a origem das outras transformações no organismo.

Finalmente, num sentido mais estrito do termo “Qì Hua” designa a transformação dos líquidos nos três aquecedores, e em particular ao nível da bexiga, graças ao Yang Qì dos rins. Chen Nian Zu10 numa de suas obras, nos lembra este fato: "A bexiga se encarrega das províncias e das capitais, ela armazena os líquidos, de onde pode emanar a transformação do Qì. No entanto, (se) o Qì dos rins é suficiente então (há) transformação, (se) o Qì dos rins é insuficiente (não há) transformação".

Neste contexto o Qì Hua se exprime na transformação e na regularização dos líquidos pelo Qì dos rins. Falamos, mais precisamente, da função de “vaporização dos líquidos”. “Isto que chamamos de transformação do Qì (Qì HUa), é o Qì do centro dos rins, é o fogo no centro do Yin. (Se) o Yin está sem Yang no seu centro então o Qì não pode transformar, o que faz com que a via das águas não circule, transborde e torne-se um edema” (Yi Xue Cong Zhong Lu11– Coleção de medicina segundo a tradição popular). "A fonte da transformação do Qì se encontra no Dan Tian que é chamado Mar Inferior do Qì (…) Se o Qì original é suficiente, o transporte e a transformação são normais, a via das águas está naturalmente livre” (Lei Jing12 – Canon das classificações). Para evitar qualquer confusão, deve-se lembrar que quando se fala em água dos rins, fazemos alusão tanto aos líquidos estocados pela bexiga, quanto ao Jing armazenado pelo órgão rim propriamente dito. É importante sempre saber de que sistema de referência estamos falando. Aqui, trata-se precisamente da transformação dos líquidos Jin Ye dos rins que estão localizados na bexiga.

O Qì Hua referente à bexiga permite gerar dois tipos de líquidos. O primeiro é simplesmente a urina, que torna-se urina quando é excretada. O segundo é a transpiração. De fato, os líquidos dos rins que são armazenados na bexiga são vaporizados para o pulmão que, por sua vez, os envia para a pele e pelos, em parte em forma de transpiração. “O Qì da água/frio do Tai Yang segue o Shou Shao Yang/Triplo Aquecedor em ascendência, sai para o exterior pela pele e pelos, que é a transpiração, ele segue pelo Shou Shao Yang/Triplo Aquecedor em direção descendente, e escoa para a bexiga, que é a urina” (Shang Han Fa Wei13 – Elucidação (do tratado) da lesão pelo frio). Aqui o autor apresenta o Triplo Aquecedor que é o grande invólucro no qual o conjunto de transformações acontece. Além disso, o fogo ministro que, como já foi dito, transforma o Jing em Qì, está igualmente associado ao triplo aquecedor. O mesmo autor, em outra obra, insiste na relação transpiração/urina/bexiga: “A água/frio do Tai Yang desce seguindo o Tripo Aquecedor em direção à bexiga, é a urina. Graças à vaporização do Yang dos rins que transforma a bexiga, ela (a água da bexiga/Tai Yang) vai para o exterior pela pele e pelos, é a transpiração. Assim a urina e a transpiração provêm da mesma origem” , (Jin Gui Fa Wei14 – Elucidação [do manual] do cofre de ouro). Tang Zong Hai confirma este ponto de vista: “A transpiração é a água da camada do Qì, sua origem é a bexiga” (Xue Zheng Lun15 – Tratado dos sintomas do sangue). É comumente aceito que a transpiração é gerada pela parte “pura” dos líquidos turvos recebidos pelos rins no final do processo, quando todos os órgãos e tecidos foram umedecidos e nutridos, enquanto a urina é constituída do “turvo do turvo”. O fato da transpiração vir em parte desta fonte não contradiz o fato de que este líquido corporal seja também associado ao sangue e coração. Na verdade, a transpiração possui duas fontes: os líquidos da bexiga e o sangue (em particular, o sangue do coração). A primeira está mais relacionada com a defesa do corpo (ver mais abaixo), a segunda com a nutrição e regulação da temperatura corporal.

Por outro lado, alguns autores chineses concordam em dizer que a água que é transformada pelos rins não gera somente urina e transpiração. De fato, a transformação dos líquidos da bexiga, dá origem a um Qì especial: Wei Qì, o Qì defensivo. Ainda que muitos clássicos, incluindo o Sun Wen (capítulo 43) e o Ling Shu (capítulo 71) estabeleçam que o Qì defensivo se origina do Qì dos alimentos ao nível do aquecedor central, o próprio Huang Di Nei Jing Ling Shu, capítulo 18, cita a origem inferior deste Qì “O Qì defensivo sai do aquecedor inferior”. Em seguida, outros textos vieram confirmar este ponto de vista. “A transformação do Qì no centro da água da bexiga/TaiYang ascende e espalha-se para o exterior, é o Yang do [Qì] defensivo do exterior” (Shang Han Lun Qìan Zhu16 – Comentários elementares sobre o tratado das lesões pelo frio). O Qì transformado no centro da bexiga/TaiYang, segue o mar de Qì (Qì Hai), circula nos cruzamentos do Qì 17, percorre as membranas de gordura no tórax e o diafragma, entra no pulmão, sai pelo nariz e torna-se o Qì da expiração. O Qì da transformação da bexiga, ao mesmo tempo, atravessa o interior das membranas gordurosas, sai pelos músculos e carnes, espalha-se na pele e pelos, que é o Qì da defesa exterior” (Shang Han Lun Qìan Zhu – Comentários elementares sobre o tratado das lesões pelo frio). “[No] corpo humano, os rins e a bexiga pertencem à água. O Yang na água, (é) a transformação do Qì que sobe. Ela (ou seja, a transformação do Qì que o faz subir) sai pela boca e nariz, é, portanto, a respiração. Ela preenche a pele e os pelos, é, portanto, o Qì defensivo”, (Ben Cao Wen Da18 – Questões-respostas sobre a matéria médica). “O Qì do meridiano Tai Yang que permanece no exterior, é o Qì do Qì defensivo [Wei Yang19] . E este Qìsurge do centro da água fria da bexiga” (Shang Han Lun Qìan Zhu – Comentários elementares sobre o tratado das lesões pelo frio).

Na verdade, é o Yang dos rins que está na origem desta produção de Qì defensivo a partir dos líquidos contidos na bexiga. E, como toda transformação, esta também é resultado da transformação do Qì (Qì Hua). Existem, portanto, segundos os tratados antigos, duas fontes de Wei Qì: uma central e uma outra inferior. A origem central provém do Qì dos alimentos a nível do baço e do estômago. A origem inferior provém dos líquidos turvos a nível da bexiga. Isto explica porque, segundo Shang Han Lun (Tratado das lesões pelo frio) o canal da bexiga, o Tai Yang, é aquele que está relacionado com a defesa do corpo e que é o local da luta entre o Qì Correto (Qì) e o Qì Perverso (Xie Qì). “A bexiga corresponde ao Tai Yang, dizemos que é o Yang no centro da água, ele direciona para o exterior o Qì defensivo” (Xue Zheng Lun – Tratado das síndromes do sangue). “A água da bexiga se evapora e se agita transformando-se em Qì, se desloca para o exterior, é o Qì defensivo. A transformação do Qì do Yang dos rins é o Qì defensivo, ele segue o canal Tai Yang para se disseminar no exterior”. (Shang Han Lun Qìan Zhu – Comentários elementares sobre o tratado das lesões pelo frio). De forma ainda mais explícita, Jing Ri Zhen diz: “Os líquidos Jin Ye são a fonte da transpiração, a transformação do Qì da bexiga permite a saída da transpiração, é por isso que Zhang Zhong Jing promove a transpiração20 utilizando o Tai Yang”, (Song Ya Zun Sheng Quan Shu21 – Livro completo de Song Ya para honrar a vida). Podemos dizer que a bexiga estoca os líquidos que vão servir à produção de Wei Qì e que seu canal, o Tai Yang, ajuda seu transporte até o exterior. Além disso, parece que existe uma ligação estreita entre a transpiração que é produzida pelo Qì Hua a nível dos líquidos da bexiga e o Qìdefensivo: “O Yang da bexiga, transforma a água em Qì, ele sai verticalmente para o alto pela boca, pelo nariz, e sai horizontalmente através das membranas internas, se espalha pelos músculso e pelas carnes e se difunde pela pele e pelos, é a transpiração. A transpiração, é uma transmutação/transformação da água em Qì defensivo, ela pertence à camada do Qì”, (Shang Han Lun Qìan Zhu – Comentários elementares sobre o tratado das lesões pelo frio). Isto tudo, sem esquecer que os líquidos Jin circulam com o Wei Qì na superfície do corpo...

NOTAS

1. O Huang Di Nei Jing (também conhecido como Nei Jing para simplificar) é considerado como a obra mais antiga da medicina chinesa. “Bíblia” fundadora, ele apresenta os fundamentos teóricos da medicina chinesa utilizando-se bastante da teoria do Yin Yang e cinco movimentos. O termo Jing refere-se a livros que têm importância capital para o estudo de um determinado tema. Segundo os historiadores e especialistas chineses, os principais textos do Nei Jing foram redigidos durante os período dos Reinos Combatentes (475 à 221 a.C.), complementados durante às épocas subseqüentes, em particular sob a dinastia Han e também a dinastia Tang. Só no início dos Han ocidentais (206 a.C. à 8 d.C.) que o essencial destes textos seria colocado numa só obra. O Nei Jing é formado de duas partes: O Su Wen (Questões simples) e o Ling Shu (Eixo Espiritual). Cada uma destas partes é composta de 81 capítulos (9 X 9): o número 9 sendo aquele que da perfeição, das coisas completas e acabadas). Este clássico é considerado como uma obra absolutamente indispensável para aprender medicina chinesa. Foi o ponto de partida dos desenvolvimentos teóricos de numerosas escolas. A grande maioria dos médicos famosos que elaboraram esta tradição médica partiram desta referencia incontornável. A versao atual do Huang Di Nei Jing Su Wen é aquela que foi “revisada” por Wang Bingsob a dinastia Tang. A versao atual do Huang Di Nei Jing Ling Shu é aquela que foi “revisada e completada” por Shi Song sob a dinastia Song do Sul.

2. A expressão exata é “Zhou Du”. Na antiga administração imperial, Zhou designa um território administrativo, que inicialmente era uma província, e Du designa as capitais das províncias.

3. Os rins separam o puro do turvo e o vaporiza para que suba, em direção ao pulmão, para ser redistribuído no sistema.

4. Obra publicada em 1186 sob a dinastia Jin e escrito por Liu Wan Su (1120-1200). Nesta obra Liu Wan Su explica suas teorias a respeito do calor e fogo. Ele desenvolve diferentes temas tais como prevenção (Shang Sheng), diagnóstico, ataques de frio, matéria médica, doenças ocasionadas por perversos externos, mecanismos das doenças, medicina interna, ginecologia e pediatria. Este livro seria um complemento de sua principal obra: Su Wen Ji Yuan Bing Shi (Regras dos mecanismos e da origem das doenças baseadas no Su Wen). Liu Wan Su, também chamado Liu He Jian ou ainda Liu Shou Zhen viveu sob a dinastia Jin de 1120 à 1200. Ele é o primeiro de quatro grandes mestres das dinastias Jin/Yuan. Ele é o líder da “escola do frio e do fresco” (Han Liang Pai), que afirma que as doenças são provenientes principalmente do calor. Ele estabeleceu os seis excessos do ambiente que são o vento, o calor, o frio, a umidade, a secura e a canícula, como o fundamento de seu sistema etiológico. E entre esses, ele dá ao calor o lugar de honra, por isso a utilização de substâncias medicinais frias ou frescas que deram seus nomes à escola que mestre Liufundou. Esta teoria se intitula “Zhu Huo Lun” (teoria du fogo soberano). Ele também desenvolveu a idéia de que o Yang torna-se um excesso devido ao princípio das “transformações similares”: o corpo que é uma sucessão de transformações quentes induz cedo ou tarde uma metamorfose de qualquer um dos fatores patogênicos em calor. Para o calor interno, suas estratégias terapêuticas visam frequentemente drenar o fogo do coração e nutrir a água dos rins. A lenda diz que Liu Wan Su recusou várias vezes um alto posto de funcionário imperial para se consagrar à prática da medicina.

5. Obra publicada em 610 d.C. sob a dinastia Sui e escrita sob a direção de Chao Yuan Fang (550-630). Este livro é considerado como o primeiro a apresentar sistematicamente a etiologia, a patogenia e a sintomatologia das doenças. Ele foi referência da matéria durante um longo período. Chao Yuan Fang foi um médico da Academia de Medicina Imperial sob os Sui e foi por decreto imperial que ele escreveu esta obra.

6. Livro publicado em 1594 sob a dinastia Ming e escrito por Wu Kun (1552-1620). Ele é um dos maiores comentaristas do Nei Jing.

7. Importante realçar que este livro também é conhecido como com o título “Huang Di Nei Jing Su Wen Wu Zhu” ou simplesmente “Su Wen Wu Zhu”, que foi traduzido por “Comentários de Wu [Kun] sobre o Su Wen”

8. O fogo ministro é o Yang original, o verdadeiro Yang associado ao céu anterior. Seu papel é o de permitir uma transformação do Jing (água dos rins) em Yuan Qì para favorecer o conjunto de funções dos Zang Fu e dos canais. Ele é chamado ministro porque ele tem o objetivo de executar as ordens do fogo imperador, ou seja, o fogo do coração que tem relação com o Shen, a consciência organizadora. Se o imperador governa, o ministro executa. É por isso que suas funções são fundamentais para o equilíbrio fisiológico do organismo.

9. Obra escrita sob a dinastia Ming por Wang Shao Long (1565-1624). Sua obra foi influenciada por Liu Wan Su, Zhu Dans Xi e Li Dong Yuan.

10. Nós lembramos que Chen Nian Zu (aproximadamente 1753-1823) é um famoso médico da dinastia Qìng que escreveu 16 livros que contribuiram com a popularização desta arte. Ele foi também um brilhante comentarista do Nei Jing, do Jin Gui Yao Lue (Manual do cofre de ouro) e do Shang Han Lun (Tratado das lesões pelo frio).

11. Obra publicada em 1896 sob a dinastia Qìng e escrita por Chen Nian Zu (aproximadamente 1753-1823), também chamado Chen Xiu Yuan ou ainda Chen Liang You. Nesta presente obra Chen Nian Zu complia os ensinamentos e as prescrições de médicos famosos e conceituados de diversas gerações. Ele é constituído de 7 partes sobre medicina interna e diversas doenças, e uma oitava parte sobre ginecologia.

12. Zhang Jie Bin (1563-1640), também chamado Zhang Jing Yue ou ainda Zhang Hui Qìng é um dos grandes nomes da medicina chinesa. É um dos mais famosos comentaristas do Nei Jing, do qual esclarece diversos temas difíceis. Sua principal obra é o Lei Jing (Canon classificado – entendido como classificação de diferentes temas du Nei Jing com explicações) publicado em 1624. Outra obra fundamental de Zhang Jie Bin se intitula: Jing Yue Quan Shu (Obra completa de Jing Yue), também publicada em 1624. Sua teoria pessoal mais famosa é a que diz que o Yang nunca está em excesso. Ao contrario, sendo a base da vida, ele está mais para deficiência, daí a necessidade de reforçá-lo. É por isso que é considerado um dos principais representantes da “escola da tonificação morna”.

13. Obra contemporânea escrita em 1933 por Cao Jia Da. Esta obra não sofreu a influência maoísta.

14. Obra contemporânea escrita em 1933 por Cao jia Da. Esta obra não sofreu a influência maoísta.

15. Obra publicada em 1884 sob os Qìng e escrita por Tang Zong Hai, também chamado Tong Rong Chuan (1862-1918). Este livro é considerado como uma peça chave sobre os desequilíbrios do sangue. É também um fantástico livro de fisiologia e patologia da medicina chinesa.

16. Obra publicada no início do século 19 sob a dinastia Qìng e escrita por Chen Nian Zu (aproximadamente 1753-1823), também chamado Chen Xiu Yuan ou ainda Chen Liang You.

17. Trata-se da expressão Qì Jie que corresponde aos caminhos que o Qì utiliza para circular no corpo. Jie significa cruzamento, mais precisamente “cruzamento de 4 caminhos”. Ou, segundo o Huan Di Nei Jing Ling Shu, os cruzamentos do Qì (Qì Jie), são em número de 4: o peito, o abdomen, a cabeça e os membros inferiores...

18. Obra publicada em 1894 sob a dinastia Qìng e escrita por Tang Zong Hai, também chamado Tang Rong Chuan (1847-1897), o famoso autor de Xue Zheng Lun (Tratado das síndromes do sangue) e de Zhong Xi Hui Tong Yi Jing Jing Yi (Essência do clássico da medicina chinesa combinada com a medicina ocidental).

19. Wei Yang (Yang defensivo) é um sinônimo de Wei Qì (Qì defensivo).

20. Em caso de ataque da superfície por fatores externos, estes tendem a atacar as partes Yang do corpo como, por exemplo, a parte posterior que é protegida pelo Tai Yang que faz o papel de “muro defensivo”. Neste caso, o princípio terapêutico adaptado, e posto em evidência, por Zhang Zhong Jing no Shang Han Lun (Tratado das lesões pelo frio), é a sudorificação. A sudorificação corresponde a um método que visa forçar uma transpiração cujos líquidos vãso expulsar (transportar) os perversos para fora do corpo.

21. Obra publicada em 1696 sob a dinastia Qìng e escrita por Jing Ri Zhen, também chamado Jing Ri Dong Yang. Seu nome honorável, que exprime seu pertencimento ao movimento confucionista, é Song Ya. Médico confucionista e erudito, baseou seus estudos no Yi Jing e nos grandes clássicos e desenvolver nesta obra um bom número de teorias sobre os mecanismos do Qì, diagnóstico, matéria médica, terapêutica, mecanismos das doenças, patologia classificada de acordo com as diferentes regiões do corpo, ginecologia, obstetrícia, pediatria … A obra deste autor, pouco conhecido e subvalorizada. Esta obra detém, no meu ponto de vista, informações preciosas especialmente adaptadas à nossa prática clínica moderna.

Tradução Silvia Ferreira

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