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OBESIDADE: AS SOLUÇÕES DA MEDICINA CHINESA


Uma alimentação saudável e balanceada nem sempre é suficiente para se manter a forma. Por que? Respostas surpreendentes da medicina chinesa, às vezes na contra-corrente do pensamento ocidental…

A obesidade está se tornando um verdadeiro fenômeno social. Nos Estados Unidos um em cada quatro adultos é obeso! Na França, ela progride perigosamente, principalmente entre as crianças. Segundo o estudo ObEpi 2003, conduzido pelo Instituto Roche de obesidade em colaboração com Inserm em quase 48 milhões de franceses, indivíduos que sofrem de sobrepeso ou obesidade passaram de 36,7 % em 1997 à 41,6 % em 2003. A obesidade mórbida (a mais grave) dobrou no mesmo período. Estima-se que esta progressão alarmante continuará, chegando a 20% dos franceses em 2020…

Poderíamos acreditar que aqueles que querem emagrecer sofrem primeiramente de um problema relacionado à auto-imagem, influenciado pelo modelo de beleza ditado pelas revistas femininas ou o cinema americano. Mas isso é falso. Os pesquisadores tem mostrado que o sobrepeso favorece o diabetes tipo I, o cancer de cólon, do rim, de mama e de útero. Além disso também se relaciona ao excesso de colesterol, doenças cardiovasculares (incluindo infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais), artrite, cálculos biliares, esterilidade, catarata, ronco e apnéia do sono. Portanto, mais do que uma questão de moda, emagrecer tornou-se um necessidade médica para muitas pessoas.

Causas da obesidade

Inúmeros pesquisadores tentam encontrar as soluções para tratar a obesidade e o sobrepeso. A cada ano, novo regimes são lançados e estimulam a curiosidade do grande público. No entanto, é raro que um novo método realmente leve em conta os mecanismos da perda de peso. Para a medicina chinesa, é essencial compreender os processos patológicos deste problema. Uma observação atenta durante vários séculos permite dizer que não existe um único tipo de obesidade, mas vários. E como a natureza de cada um deles é diferente, os tratamentos também o são.

A maneira pela qual a medicina chinesa analisa e concebe a fisiologia humana é diferente daquela da medicina ocidental (e também da homeopatia, naturopatia, osteopatia, etc). Ela foi criada há 3.000 anos e num contexto filosófico e cultural muito diferente do nosso. É preciso aceitar observar o mundo com uma lente diferente daquela da ciência mecanicista ocidental. Por exemplo, os órgãos tais como baço, rim, pulmão, fígado, coração, vesícula biliar, intestino delgado, estômago, bexiga… possuem muito poucos pontos em comum com a nossa abordagem atual do corpo humano. Eles possuem funções no organismo bastante diferentes daquelas a que estamos acostumados. Estamos, portanto, numa outra matriz de pensamento.

Em medicina chinesa, a gordura é considerada como o produto de “mucosidades” (Tan), ou seja líquidos que se acumularam e, depois, se condensaram numa substância mais sólida. Estas mucosidades (gorduras) podem ser geradas tanto por uma higiene alimentar desregrada, como pelo desequilíbrio funcional de três órgãos: baço, rim, fígado.

OS QUATRO PRINCIPAIS TIPOS DE OBESIDADE

1. Mucosidades “umidade” por má higiene de vida

As mucosidades que provocam o sobrepeso ou obesidade vem primeiramente de uma higiene alimentar desregrada. Segundo a visão chinesa, o objetivo da digestão é receber alimentos líquidos e sólidos e de transformá-los em uma espécie de “sopa digestiva morna”, a fim de assimilar o que há de mais sutil para nutrir o corpo.

O que é que atrapalha esta sopa digestiva morna e, portanto, a assimilação do bolo alimentar? Excesso de alimentos crus, alimentos açucarados, bebidas geladas, alimentos que geram umidade (exemplos, laticíneos, alcóol, frituras, biscoitos, enlatados, guloseimas de todo tipo…) Se, além disso, você se alimenta em horários irregulares, muito tarde da noite, muito pouco no café da manhã e excessivamente no jantar, você aumenta suas chances de acumular umidade digestiva que se transformará cedo ou tarde em mucosidades, originando o sobrepeso. Nesta situação, mesmo que seus órgãos funcionem corretamente, que tua digestão pareça boa, este tipo de alimentação te condena a engordar. Na verdade, você pode ter aparentemente uma boa saúde e estar preparando silenciosamente seus quilos à mais.

2. Deficiência do Qì do baço

O Qi corresponde às funções de um órgão. Em medicina chinesa, o baço é responsável pelas transformações do bolo alimentar. Se ele se torna fraco, a umidade digestiva não é bem transformada, se acumula e se torna mucosidade. Nesta situação, mesmo que você tenha uma alimentação correta e que você evite os alimentos nocivos para o peso corporal, você pode acumular quilos à mais! É o que explica o fato de algumas pessoas comerem pouco e, apesar disso, engordarem. Mas se, além disso, você tem uma alimentação desregrada, dobra as chances de engordar…

Quais são as causas principais de deficiência do baço? Os desregramentos alimentares, o excesso de açucar, o excesso de refrigerantes, excesso de trabalho intelectual ou de preocupações, falta de atividade física, sobrecargas, doenças graves ou de longa duração… Este tipo de sobrepeso é frequente em mulheres.

3. Deficiência do Yang do rim

O Yang corresponde às funções de um órgão mas também à capacidade de aquecer o organismo. O rim, em medicina chinesa, tem especialmente o papel de “governar a água”. Isto significa que ele permite que os líquidos fisiológicos sejam bem assimilados e transformados para que possam nutrir e umidifcar todos os tecidos do corpo. Se o rim está deficiente, estes líquidos orgânicos tendem a estagnar e, com o passar do tempo, se concentrar em mucosidades que estão na origem dos quilos excedentes.

Quais são as principais causas do enfraquecimento do rim? O envelhecimento, o uso de alguns medicamentos que resfriam, os excessos sexuais, a fraqueza constitucional, as doenças graves ou de longa duração… Aqui também, mesmo com uma alimentação impecável pode-se engordar de forma anormal. Logicamente uma alimentação desregrada só poderá agravar a situação. A deficiência do Yang do rim é frequentemente a causa do aumento de peso na menopausa e da andropausa (a gordura abdominal no homem a partir dos 40 anos e que se confirma dos 50 anos pra frente).

4. Depressão do fígado

O fígado « chinês» não tem nada a ver com o fígado “ocidental” ou àquele dos naturopatas. Suas funções são numerosas. A que nos interessa aqui é a de favorecer uma circulação fluida do Qì, sangue, líquidos e das emoções no corpo. Em caso de grande estresse emocional, forte frustração, humilhação, amargura, sentimento de injustiça, raiva (exteriorizada ou interiorizada), a função de regulação do fígado se desequilibra e sua energia estagna. É o que chamamos de “depressão do fígado”. Neste caso, ele perde a capacidade de fazer circular normalmente os líquidos fisiológicos do corpo, que se acumulam, se condensam e se transformam em mucosidades.

Além disso, esta depressão do fígado induz quase sempre um enfraquecimento do baço que, por sua vez, também favorece a produção de mucosidades… Em outras palavras, trata-se de um sobrepeso cuja origem é emocional. As pessoas que sofrem desta síndrome tem frequentemente desejos compulsivos pelo açucar. O sabor açucarado serve como “antidepressivo”, o que é louvável mas provoca paralelamente o aumento de peso…

Deve-se observar que, às vezes, os indivíduos acumulam dois ou três tipos de sobrepeso ou obesidade, o que torna o tratamento mais complexo. Logicamente, para fazer um diagnóstico preciso do seu tipo de sobrepeso e propor as estratégias terapêuticas adaptadas, é aconselhado se consultar com um profissional de medicina chinesa (1), capaz de conduzir o seu emagrecimento.

O que fazer segundo a medicina chinesa?

Qualquer que seja a causa, o tratamento passa sempre por uma dieta impecável. Evitar alimentos de risco e restaurar o funcionamento normal do baço.

  • Parar definitivamente de ”beliscar”.

  • Consumir alimentos de fácil digestão e muitos legumes.

  • Reduzir drasticamente o consumo de doces, laticíneos, alcóol e alimentos gordurosos.

  • Comer alimentos quentes e eliminar os frios.

  • Comer alimentos cozidos e eliminar os crus.

  • Não beber no início, mas no final da refeição e unicamente bebidas quentes.

  • Dividir por dois seu consumo de carboidratos (pães, massas, batata, cereais…) durante algumas semanas, mas aumentar sua porção de legumes e peixes (cavala, arenque, salmão, atum vermelho, alabote da Groelândia, sardinha, eperlano, peixe lobo, robalo, truta arco-íris, camarão, mexilhões, ovas de peixe-lapa…).

  • Consumir mais arroz, painço, cevada, quinoa e leguminosas para evitar os cereais da família do trigo que são muito úmidos e geram mucosidade.

Se a quantidade de peso a perder é muito grande, pode ser útil seguir durante dois à três meses um regime dissociado que visa consumir as gorduras (lipídios) separadamente dos açucares rápidos ou lentos (carboidratos). Nesta situação, é muito vantajoso preferir os carboidratos de índice glicêmico baixo (2).

No entanto, não esqueçamos que três em cada quatro tipos de obesidade não estão diretamente ligados à alimentação mas ao desequilíbrio de alguns órgãos. Fazer um regime sem equilibrar estes órgãos é pura mente ilusório.

Desta maneira, além da reeducação alimentar, é desejável de acordo com o caso:

  • Reforçar o baço com substâncias medicinais chinesas que são reconhecidas por fazerem perder peso tais como: Rhizoma atractylodis macrocephalae (Bai Zhu), Radix astragali membranacei (Huang Qi), Fructus crataegi (Shan Zha)…

  • Tonificar o rim com substâncias medicinais chinesas reconhecidas por fazerem perder peso tais como: Radix polygoni multiflori (He Shou Wu), Cortex radicis acanthopanacis (Wu Jia Pi), Rhizoma drynariae (Gu Sui Bu).

  • Regularizar o fígado com substâncias medicinais chinesas reconhecidas por fazer perder peso tais como: Pericarpium citri reticulatae viride (Qing Pi), Fructus immaturus citri aurantii (Zhi Shi), Fasciculus vascularis citri reticulatae (Ju Luo), Radix bupleuri (Chai Hu)…

  • Atenuar as causas de estresse, raiva e frustração. Tratar a causa emocional que leva à crises de compulsão alimentar.

Higiene de vida

  • Evitar beber água demais pensando que isso faz emagrecer. É uma idéia totalmente falsa que provoca fadiga do baço e rim (ler « La diététique du Tao », seção 7.9 : « Beber litros de água? »).

  • Manter uma atividade física regular, pois ela ativa a circulação de energia, estimula o peristaltismo intestinal e ajuda a eliminar as reservas de gordura.

  • Manter horários regulares para refeição, com um verdadeiro café-da-manhã salgado e comer alimentos leves à noite. Isto favorece o funcionamento do baço.

1. Para encontrar um profissional, você pode consultar o anuário do site: www.consultation-medecine-chinoise.com

2. Para saber mais sobre índice glicêmico, você pode consultar o site: http://www.diabsurf.com/diabete/FIGlyPr.php

Tradução: Silvia Ferreira

© Copyright Philippe Sionneau


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